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O MANIPULADOR ESPERTO E O MANIPULADO TOLO

Abraham Shapiro

O manipulador é um indivíduo perigoso em qualquer estrutura – seja na família, entre amigos ou mesmo na empresa.

Ele reúne algumas características fáceis de identificar. A primeira e maior delas é o prazer que ele sente em ser o centro das atenções. Adora ser aplaudido, deseja o primeiro lugar em tudo e aproxima-se de pessoas de personalidade fraca ou carentes de apoio.

Todo manipulador atua com objetivo de manter sua imagem em conformidade a suas metas pessoais.  Ele se preocupa em parecer-se bom, justo e imparcial em seus julgamentos, mas o resultado de seus planos é pautado sempre pela contradição destes princípios, isto é, por meio de maldades, injustiças e parcialidade em favor dos que “comem em sua mão”.

Conheço um gerente que, vira e mexe, corre à sala de seu diretor para contar-lhe fatos. Não meras atualizações ou fofocas – o que poderia ser depreciativo.  O que ele leva são as versões pessoais de ocorrências cuja verdade o colocaria sob risco se viesse à tona. Esta conduta, aliás, é o mais autêntico exemplo de como age o manipulador: sempre disfarçado por boas intenções.

O mais grave dos efeitos, no entanto, se dá quando o diretor deixa-se levar por esta manobra. Se sim, mais do que manipulado, ele mostra-se despreparado e fraco.  Chamá-lo de fantoche seria uma qualificação branda. Talvez a mais realista fosse: idiota. 

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EINSTEIN OU INCOERÊNCIA A TODA PROVA

Abraham Shapiro


Era uma vez, um pequeno empresário que se achava grande e talvez por isso gostasse de reunir seus colaboradores  numa sala de aulas ao lado de seu escritório para dar longas lições de comportamento. 

A empresa tinha altos índices de rotatividade e de insatisfação dos funcionários. E não só. Todos enxergavam nitidamente as incoerências e a presunção do patrão em querer ensinar o que ele mesmo não praticava. Somava-se a isso o fato de os demitidos se tornarem inimigos e invariavelmente o denunciarem à justiça do trabalho.

Ele não se conformava. Era soberbo e julgava a todos como injustos,  afinal, ele mantinha a autoimagem convicta de chefe dedicado, que proporcionava a todos a educação a que nunca teriam acesso senão por ele.

Um dia, um amigo muito próximo foi-lhe sincero e disse: 

- “De onde você acha que pode dar lições de moral aos seus funcionários? Todos sabem que você é um explorador e suga o que pode deles. Você acha que alguém lhe dará crédito? Seja primeiro um exemplo,  e depois todos lhe ouvirão!”.

Ele ficou uns dias  amuado, mas depois resolveu tomar uma atitude. Não, ele não reviu seus conceitos. Ele se desfez da sala de aula.

Não é pateticamente engraçado esse caso. Mas é real! Eu  mesmo vi tudo isso!

Albert Einstein disse certa vez uma belíssima frase: “Dar exemplo não é o principal meio de influenciar pessoas. É o único”.

O físico Judeu  estava certo. Porém, é difícil demais ser exemplo. Numa empresa, então, o mais fácil e simples é o tal do “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”.

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O SUCESSO VERDADEIRO

Abraham Shapiro

Um grande empresário estava prestes a exalar o último suspiro, mas ainda encontrou energia para ditar sua última vontade ao advogado. Ele disse:

- “Quero que você inclua uma cláusula no meu testamento dizendo que todos os empregados que me serviram por vinte anos ou mais devem receber um prêmio de 100 mil reais cada um”.

O advogado ponderou:

- “Mas você só começou o seu negócio há quinze anos”.

Ao que o empresário respondeu:

“Eu sei. Mas já pensou que bonito isso vai ficar nos jornais?”

Você acredita em notícias de sucesso? Eu não. Nem todas são confiáveis. E as outras são exageradas. 

O Eike Batista nos ensinou que o mundo empresarial não está isento dos “efeitos especiais”, de truques e maquiagens que embelezam  verdades horríveis.  O mundo dos negócios tem muido em comum com Hollywood.

Além disso, há pessoas para quem estar em evidência na mídia é mais importante do que saber se sua empresa tem saúde, dá lucro e coloca-se correta e eticamente no mercado. Talvez seja uma doença.

A única coisa a se considerar é que negócios requerem postura e correção de seus atores, independentemente do tamanho. 

"Oba-oba" e festins não produzem sucesso algum. Estratégia,  planejamento,  dedicação,  olhos  abertos e esforço no trabalho, sim!

Se você busca o sucesso, trate de atingi-lo de fato, com base em valores e princípios, porque depois que você conseguir, uma das lições que você terá aprendido é que fotografia em jornais, revistas e menções nas mídias sociais têm mais a ver com quem jamais o alcançou.

 

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GRATIDÃO: O SENTIMENTO DE MIL FACES

- Abraham Shapiro -

“Ficamos obrigadas por sua grande gentileza!” é o que estava escrito no cartão enviado pelas mulheres do Clube das Esposas dos Oficiais da Reserva da Cidade do Rio de Janeiro a um amigo meu por ter proferido uma palestra gratuitamente a elas.

- “Obrigadas”? – ele questionou. “Que é isso?” 

- “Por que não?” – eu lhe disse.  “Se estivesse escrito ‘agradecidas’  você não se espantaria! Elas também poderiam ter dito: ‘Muito obrigadas pela palestra!’.”

“Obrigado” na frase “Muito Obrigado” é um adjetivo. Por isso varia conforme o gênero do sujeito e com o número de pessoas envolvidas.

Um homem diz “obrigado”.  Uma mulher, “obrigada”.  O agradecimento no plural é raro, mas correto.  Se alguém perguntar: “Como vão todos em casa?”, uma resposta sem nenhum problema gramatical seria: “Vamos bem, obrigados!”.  

Por que falamos “obrigado”?

Há alguns dias, eu recebi um vídeo pelo WhatsApp em que um professor de Portugal recorreu a uma explicação de Tomás de Aquino em seu Tratado da Gratidão, parte da Suma Teológica, para agradecer seus colegas da Universidade de Brasília.  Tomás de Aquino ensina que a gratidão se expressa em pelo menos três diferentes níveis.

O primeiro consiste em reconhecimento do benefício recebido. O segundo, em louvar e dar graças àquele que deu ou fez algo. O terceiro é o nível da retribuição conforme as possibilidades e circunstâncias de tempo e lugar do beneficiado.

Cada língua expressa a gratidão de acordo com estes graus. O inglês: “to thank”. O alemão “zu danken”. Isso se aproxima respectivamente  de “to think” e  “zu denken”, cujo significado é “pensar”.  Estas línguas tomam a gratidão no primeiro nível, o simples reconhecimento da graça, chamado em latim “ut recognoscat”. 

Aquino denomina o segundo nível de “ut gratias agat”, presente na língua italiana, grazie, no espanhol, gracias,  no francês, merci, e no árabe, xúcran. Segundo o filósofo, este grau é superior ao primeiro e é considerado como a dimensão de render louvor e dar graças.

Especial mesmo é a formulação portuguesa, encantadora e singular, por ser a única a situar-se claramente no terceiro nível, isto é, o da gratidão no vínculo “ob-ligatus” ou “obrigado”. Ela remete ao grau do dever de retribuir, ou, como diz Aquino,  “ut retribuat”.

Conclui-se que o agradecimento pode apropriar-se de múltiplas formas de manifestar o que se pensa, o que se pondera e se reconhece a respeito do benfeitor e de sua atitude.   Dizer “obrigado” corresponde a assumir uma dívida nascida da consciência de que tudo o que se fizer será insuficiente para compensar o bem recebido.  É um modo elevado de gratidão, pois, além de tudo, requer a humildade de aceitar o favor mesmo diante da impossibilidade de retribuí-lo.  

Do outro lado de todas estas considerações estão aquelas pessoas que nunca se comprometem com nada, em nível algum. Talvez por isso o que se ouve delas nunca passa de expressões inócuas e vazias,como: “Valeu!”, “Falou!” ou “Beleza!”.

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MAIS DO QUE SÓ HONESTIDADE

Abraham Shapiro

Eu acho curiosa a seleção de funcionários ou de candidatos a quaisquer cargos pelo critério da honestidade. Para mim, ser honesto é “software residente” ou competência mínima obrigatória. Não é diferencial nenhum.

Jesus de Nazaré contou a famosa Parábola dos Talentos. Um dos personagens é um tipo interessante e honesto que recebeu de seu patrão uma moeda para investir.  Quando o patrão retorna de viagem, põe-se a fazer o acerto de contas do dinheiro confiado a sua equipe.  O tal empregado lhe diz:

- "Eu soube que és um homem severo e ceifas onde não semeaste. Por temor a ti, escondi o teu talento na terra, e aqui eu te devolvo o que é teu."

O empregado julgou ter feito a coisa certa. Mas a resposta do patrão revela surpreendentemente o contrário.  Nela está a mensagem central da parábola. Ele diz:

- "Servo mau e preguiçoso. Devias, ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros. E então, na minha chegada, eu o receberia com juros. És um servo inútil. Serás lançado nas trevas, onde há choro e ranger de dentes."

Trazendo para hoje. Um funcionário apenas honesto fará, no máximo, o que fez aquele sujeito por temor do patrão. Na melhor das hipóteses, ele cuidará do que lhe foi confiado sem que evolua,  sem progresso, sem desenvolvimento. Sabe por quê? Ele tem medo. Ele é fraco!

Não é assim que se administra. Não é assim que se trabalha.

Logo, é preciso muito mais do que honestidade na busca pela competência.

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O PERIGO DE NÃO FAZER CONTAS

Abraham Shapiro


Dois tipos de pessoas representam perigo iminente: as que não sabem fazer contas, e as que sabem, mas não fazem.

Pessoas que não sabem fazer conta do que falam: machucam, inserem discórdia onde podia haver paz e dispersam em vez de unir.

Pessoas que não fazem conta do dinheiro que gastam, acham tudo barato, estão sempre desprovidas de recursos próprios e acabam pobres, quando não falidas e dependentes.

No entanto, piores do que estas são as que sabem fazer contas, mas não fazem.

Piores por quê?

Elas podiam ajudar, mas fazem questão de atrapalhar.

Elas podiam somar, mas subtraem por opção.

Podiam construir. Mas destroem.

Tudo isso porque teimam em não fazer contas.

Sabe o elas são, de fato? Inconsequentes.

O que fazer por essas duas categorias de gente?

Aos que não sabem fazer contas, ensine-os. Convença-os do quanto perdem pelo que desconhecem. E dê-lhes o conhecimento que ignoram e necessitam.

Quanto aos que sabem fazer contas, mas não fazem, afaste-se deles.  O prejuízo que causam chegará até você, cedo ou tarde.   

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GUARDE OS SEUS SEGREDOS EM SEGREDO

Abraham Shapiro

Eu estava numa banca de jornal quando um ouvinte do meu boletim na CBN se apresentou espontaneamente a mim. Ele estava com seu filho, um garoto de nove ou dez anos de idade, que logo entrou na nossa conversa. 

Então lhe perguntei:

- “O que você quer ser quando crescer?”  

E ele: 

- “Vou ser cientista”... 

E se entusiasmou dizendo que já estuda física, astronomia etc. Aí, ele completou: 

- “Tio, eu tenho uma ideia genial de produzir um vídeo...” – e começou a falar a respeito. De repente, ele parou e nos surpreendeu ao dizer: 

- “Ah. Eu já falei demais. Alguém pode ouvir e fazer antes de mim!”

Eu adorei. E ri muito. 

A melhor coisa a fazer pelos seus planos é mantê-los em segredo. Caso tenha de compartilhar com alguém, que seja com quem  tenha alguma afinidade desinteressada com você e sabedoria para cooperar, é claro. 

Quanto a sair por aí divulgando ideias e visões, pense nisso como atitude de alto risco. Pode despertar a concorrência e, pior, a inveja.  

Guarde-se da atenção excessiva. Há muita gente incapaz de conviver com o esforço positivo dos outros. Seus olhos são como armas de fogo miradas para atirar em você.  Opte pelo silêncio e pela  discrição. 

Firme-se primeiro. Ponha os seus planos em prática e, após vê-los realizados ou em estágio avançado de progresso, publique-os somente se for preciso e, mesmo assim, para as pessoas que pagarão para beneficiar-se deles.

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