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O MODELO BÍBLICO DE LIDERANÇA

Abraham Shapiro

A Bíblia exerce influência real sobre o pensamento de toda a humanidade, mesmo sobre  quem não a adota como livro sagrado. O meu mestre costuma dizer que “tudo está na Bíblia”, e faz questão de demonstrar sua convicção nas situações menos prováveis, como: tecnologia, descobertas, eventos históricos etc. 

Se você nunca leu, vale tentar. E quando o fizer, talvez se depare com uma pergunta que eu mesmo fiz. “Por que tantos líderes hebreus foram pastores antes de exercer a liderança?”

David, o segundo rei de Israel, fala em seus Salmos sobre como cuidava de seu rebanho. Ele menciona compaixão e salvação.  Ele se preocupava com o bem-estar de cada ovelha.  Isto o fez apto a conduzir sua nação.

Moises cuidava do rebanho do sogro quando uma cabra fugiu – conta a tradição oral Judaica, chamada Guemará. Ele seguiu-a e a encontrou bebendo água numa fonte. Ao aproximar-se, disse a ela: “Tua sede te fez fugir? Estás cansada? Sacia-te e eu te carregarei de volta. E desde já cuidarei para que isso não ocorra mais”.

Dois pastores, dois exemplos, duas virtudes ímpares em liderança aprendidas junto a seus rebanhos. Penso que tudo se resuma a “sensibilidade”. Eles conheciam as necessidades de cada um dos animais no todo e em particular.

Encontrei numa obra de filosofia milenar as seguintes palavras: “Os atos do líder são os atos da nação. Se o líder é justo, a nação o será. Se o líder é injusto, a nação também é injusta e pagará pelas fraquezas do líder”. ‘Nação’ aqui se aplica também a empresas. O comportamento do grupo é autorizado pelas práticas de quem está no topo. 

Temos visto funcionários de muitas empresas pagando pelas fraquezas de seus chefes. Ficam sem seu trabalho, perdem as economias de toda a vida, enfrentam dores emocionais, morais, e físicas.  Há vários casos nos quais os clientes também pagam.  

Líderes verdadeiros são raros. Tão raros quantos pedras preciosas. E por que não dizer “raros como sábios e bons pastores de ovelhas”? 

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DIPLOMA NÃO FAZ PROFISSIONAL

Abraham Shapiro

Você conhece Itzchak Perlman? Ele é um dos maiores violinistas da atualidade.  Assisti a uma entrevista com ele num canal estrangeiro e uma das perguntas inevitáveis do jornalista foi: “Qual o segredo para se tornar um bom instrumentista?”

A resposta de Perlman:

“O segredo para ser bom em qualquer instrumento é: praticar, praticar e praticar. Um iniciante terá de levar cerca de 2500 horas, à razão de 7 horas ao dia, para dar os primeiros passos. Depois, outras 15.000 horas para se tornar impressionante. Este será, com certeza, um ótimo começo! Mas a grandeza só vem de treinar com incrível afinco.”

A resposta de Perlman é impressionante. 

Uma pessoa que acaba de conseguir um diploma universitário é profissional? Na melhor das hipóteses, ela será apenas e tão somente iniciante. Falta a prática. E isto, só se consegue com um dia a dia focado no desenvolvimento de competências que a faculdade não procede.

Ainda assim, seria só o começo. Sucesso? Estaria bem longe ainda.

Diploma, MBA, pós-graduação não são garantia alguma de profissionalismo. Menos ainda num mundo onde a indústria do curso superior tornou-se, em vários casos, um negócio do tipo “pagou, passou”.

O verdadeiro profissional está acima do diploma. Ele tem desempenho comprovado. É como o violinista: toca a partitura... e não de ouvido. Ele se atira sobre os problemas e resolve. 

Papel de embrulho e fita transformam qualquer porcaria em presente bonito. Mas depois de aberto, a embalagem  sempre vai parar no lixo.”

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CHEGA DE FALAR EM LIDERANÇA! VAMOS TRABALHAR!

Abraham Shapiro

Julian Birkinshaw, é professor da London Business School.  Recentemente, ele publicou um artigo em que levanta uma questão importante. Após longos estudos estatísticos sobre a felicidade, ele levantou dados que o fizeram concluir que a maioria dos funcionários está infeliz com seus superiores nas empresas. Uma das perguntas era: “Quando você se sente feliz, com quem você está interagindo?”.  No topo da lista aparecem amigos e familiares. O chefe quase sempre vem por último. Ele conclui que, em geral,  as pessoas preferem ficar sozinhas a interagir com seu chefe.

Em 2.005, foi ao ar uma série de tevê chamada The Office. Ela foi sucesso na Europa e Estados Unidos.  Seus episódios retratam o cotidiano dos funcionários de um escritório em que  Michael Scott é o chefe.  Trata-se de um personagem mentecapto e egocêntrico, que não tem a menor consciência de si, e seus subordinados são muito mais espertos do que ele.

Quando figuras como esta são as que vêm à mente para traduzir o gerente e as pessoas vibram com isso, sinto que o problema dominante na vida corporativa de hoje é bastante delicado.

Eu, particularmente, nunca vi com bons olhos essa tendência de se substituir a palavra gerente ou gestor por líder. Parece mais um modismo do que uma necessidade. O que as empresas precisam mesmo é de gestores que saibam o que têm de fazer e que sejam capazes de decidir como fazer para alcançar resultados juntos de sua equipe. Talvez eles devam ser medíocres competentes para realizarem um trabalho competente com as pessoas de seu time. 

Isto é mais simples e mais factível do que “líder”. 

E como disse o saudoso Peter Drucker: “Entristece-me constatar que, encerrado o século 20, com líderes como Hitler, Stálin e Mao, as pessoas ainda estejam em busca de quem as comande, apesar de todo esse mau exemplo. Acho que tivemos carisma demais nos últimos 100 anos”.

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CUIDADO COM INOVAÇÃO

Abraham Shapiro

O maior desafio de qualquer empresa é descobrir quais desafios resolver. 

Como as organizações têm dinheiro e recursos limitados, é essencial priorizar.

A Blockbuster foi a maior rede norte-americana de aluguel de filmes. Ela investia muito dinheiro em inovação. Mas nunca inovou naquilo que era mais necessário: seu modelo de negócio. Investiu energia demais, porém não chegou a lugar algum. Faliu.

Um investidor financeiro sabe que colocar todo seu dinheiro num tipo de poupança que dê 1% de rendimento ao mês pode ser seguro, mas seu investimento nunca irá crescer. Terminará pobre.

Por outro lado, colocar todo o dinheiro em investimentos especulativos arriscados com enorme potencial de valorização representa ao mesmo tempo uma grande chance de desvalorização. Também é ruim.

Muitas empresas querem inovar. O mercado exige.  Mas inovação necessita de administração tanto quanto uma carteira de investimentos. E também de prioridades. Inovar por inovar é inócuo. É preciso saber que a coisa certa está sendo feita com risco mínimo.

A Xerox é focada em inovações radicais. Implantou um Centro de Pesquisas em Palo Alto, Califórnia. Mesmo assim, poucas vezes encontrou maneiras de colocar grande parte de suas invenções no mercado. Sabe quem mais se beneficiou do trabalho da Xerox? A Aple, de Steve Jobs.

Não se iluda e nem se arrisque demais com a ideia de inovação. Como em várias atitudes na vida, inovação exige que se tenha em mente que a diferença entre um tubo de água e um de esgoto é apenas o que passa dentro.

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SAUDADES DE STEVE JOBS

Abraham Shapiro

Em um de seus discursos, Steve Jobs disse: "Se eu nunca tivesse frequentado o curso de caligrafia, o computador Mackintosh não teria múltiplos tipos de letras e espaços proporcionais".

Neste mundo imbecil, em que as pessoas separam profissionais pela grife das escolas em que se formaram, o pensamento de Jobs parece uma dissonância. 

Mais do que nunca, chegou a hora de aprendermos a avaliar pessoas por sua capacidade de realização, e não pelos diplomas que conseguiram colecionar.

Conheço idiotas diplomados nas melhores universidades do país. Gastaram dinheiro movidos pela crença de que a escola faz o aluno. Estão aí, vendo a vida passar sem deixarem nada de efetivo por si mesmos ou pelo mundo. Eles se distinguem pelo quão excelente supõem ter sido a formação que receberam. 

Tenho um amigo rico que possui em casa uma das bibliotecas mais fantásticas que jamais conheci. Ele jamais leu nenhum livro dali. Mas tem dinheiro, e compra livros. Que valor isso tem?

A pergunta é: “O que você faz com a grande educação que acha ter recebido?”

Por outro lado, eu conheço profissionais que conseguiram um diploma de curso à distância e dominam excelentemente o que estudaram, fazem coisas importantes para si e para as organizações em que trabalham. Uma escola deve ajudar o acadêmico a criar conexões a fim de solucionar problemas. Ajudar, eu disse. Porque quem faz as conexões são os alunos, 

Steve Jobs nunca recebeu diploma de faculdade alguma. Atribuiu os créditos do desenvolvimento de seu revolucionário computador Mackintosh a um cursinho de caligrafia. 

Nenhuma faculdade é boa. Nem ruim. A questão é “o que fazer com o que se ensina lá?”

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JOGAR A CULPA EM OUTROS É PRÓPRIO DOS COVARDES

Abraham Shapiro

Conta a lenda que, prestes a assumir o comando do Partido Comunista da União Soviétiva, em 1964,  Leonid Brejnev recebeu três envelopes de seu antecessor, Nikita Kruschev. A recomendação era de que um envelope fosse aberto a cada crise que viesse.

Algum tempo depois da posse, lá veio uma crise. Brejnev abriu o primeiro envelope. O conteúdo trazia a seguinte mensagem: “Ponha a culpa em mim”.

Mais alguns anos, e chegou mais uma crise.  Brejnev abriu o segundo envelope herdado de Kruschev, em que leu: “Ponha a culpa em mim de novo.”

Outra crise não demorou a chegar, e Brejnev, mais uma vez lançou mão da sapiência do líder anterior. E o que a última mensagem dizia? 

- “Prepare três envelopes”.

Mesmo sendo atitude desprezível e baixa, pôr a culpa em alguém é prática corriqueira no mundo político e no ambiente do crime – organizado ou não.

Mas a vida corporativa requer ética para que seja longeva. A regra é: “Não se preocupe com quem você elogia. Mas cuidado sobre quem você atira a culpa.”

Você e eu podemos cair muitas vezes no percurso da nossa carreira. Mas isto só será um fracasso real e humilhante quando dissermos que outra pessoa nos empurrou. 

Quem erra e dá desculpas acaba de cometer duplo erro. A raposa, arrogante e malvada em todas as fábulas, diz que a armadilha a apanhou, e não sua imprudência.

Desculpa é fraqueza. Desculpa é recurso negativo, é covardia.

O que você faria com a mensagem dos envelopes de Kruschev?

Assuma os seus erros. Depois, aprenda a superá-los. Só não dê boas explicações para livrar a sua cara. É horroroso.  

Eu desejo e espero, francamente, que o seu sucessor – seja ele quem for –  tenha razões suficientes para se orgulhar de você. E que descubra exemplos com que se inspirar cada vez que souber das suas atitudes, decisões e superações de desafios.

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HOJE EM DIA, QUASE TUDO É LIXO

Abraham Shapiro

Houve um norte-americano chamado Theodore Sturgeon que fez fama por suas frases inteligentes e provocativas. Uma delas, conhecida como “A lei de Sturgeon”, diz que “90% de qualquer coisa é lixo”.

Vamos pensar. Arquitetura, música, marketing, design, gastronomia, moda e tudo o que se produz no dia a dia...  é 90% lixo. 

Talvez seja difícil entender a abordagem de Sturgeon. Mas vamos incluir na lista uma área que não deixaria dúvida em nenhum brasileiro. Que tal política?  Agora 90% de lixo é pouco, não?

A bem da verdade, o ser humano em seu estado natural nada tem de bom gosto e sensibilidade refinada. É a educação e o esforço pelo desenvolvimento pessoal que proveem essas e outras características positivas. Sem um processo criterioso, qualquer indivíduo será, na melhor das hipóteses,  “por fora: bela viola, por dentro: pão bolorento”.

Bom gosto não é virtude inata; e nem dom Divino. 

Bom gosto se adquire pela observação, pela disciplina, imitando, com criatividade, errando e aprendendo com os erros, porque educação é o único diferencial que a fortuna e a sorte não garantem em momento algum.  

Eu particularmente penso que, hoje em dia, aqueles 90% de lixo de que  Mr Sturgeon falou estar presente em tudo sejam quase 100%, infelizmente. Qualquer porcaria vira moda, produto, modelo e as pessoas comuns os tomam para si como padrão. 

Concluo com uma frase de Jean de La Bruyère, filósofo francês cujo pensamento me sensibiliza por seus 100% de beleza e reflexão: "Entre o bom senso e o bom gosto a diferença é de causa para efeito".

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SE TUDO É DUVIDOSO PRA QUE SE PREOCUPAR?

Abraham Shapiro

Ceticismo. Você sabe o que é? É o modo de ser e pensar das pessoas para quem não se pode ter certeza de nada e que duvidam de tudo. Eles são chamados “céticos”.

Houve um filósofo grego a quem é atribuída a criação formal do ceticismo como escola. Seu nome é Pirro de Élida.

Pirro tinha um modo bastante estranho de encarar a vida. Ele dizia que não devemos confiar totalmente nos nossos sentidos porque geralmente nos enganam. Por exemplo, é fácil achar que ouvimos vozes quando o som não passa do vento soprando entre os galhos de uma árvore.

Para ele, tudo na vida se resume a opiniões, todo mundo pensa ter razão e as aparências enganam. “Será possível ter alguma certeza?, dizia Pirro. “Quem pode descobrir a verdade? Ninguém” – ele respondia.  “Então, será que vale a pena se aborrecer? Não, não vale.  Muitas das nossas certezas e convicções são irracionais e roubam a paz de espírito.” 

“É um erro a facilidade de aceitar coisas sem questionar” prossegue o discurso do filósofo.  “É por isso que as pessoas estão sempre infelizes. Portanto, fique longe das crenças fortes e dos pontos de vista inflexíveis: eles só causam prejuízos.”

Pirro também achava que os nossos desejos nascem da convicção cega de que uma coisa é melhor do que a outra. E já que nunca conseguimos o que queremos, pra quê se preocupar?

Sabe o que? Gostei muito desse mestre pensador grego. Afinal, por que jogar a nossa qualidade de vida fora a troco de preocupações e problemas que nunca serão resolvidos?

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OS NEGÓCIOS E AS REGRAS DE CONDUTA DA VIDA

Abraham Shapiro

- Você abriu? Feche.

- Acendeu? Apague.

- Ligou? Desligue.

- Pediu emprestado? Devolva.


A lista de condutas da boa educação é realmente enorme.

Mas existe uma que nunca encontrei em manual algum. E ela diz: 

“Quando você não tiver interesse em continuar atendendo a um cliente, tenha a honradez de finalizar formalmente  o negócio com ele”.

Em assuntos de negócios sempre existe a possibilidade de as coisas não darem certo. É uma premissa. E caso elas não deem mesmo, é necessário agir com educação e postura, como nessa regra, pois ela inspira liberdade, clareza e, principalmente: respeito. Além disso, é o modo mais eticamente correto de agir.

Conheço um industrial que leva esta conduta à prática com muito rigor. Para você ter uma ideia, ele aceitou a devolução integral de suas mercadorias a fim de resolver a insatisfação de um cliente. E do jeito que ele é correto em tudo o que faz, também fará isso por outras razões a fim de nunca deixar a impressão de estar forçando o cliente a ficar com produtos indesejáveis.

Sua justificativa é impressionante. Ouça o que ele me disse: “Procuro agir rápido a fim de evitar que o cliente sinta rejeição pelos meus produtos quando olhá-los na prateleira porque da minha marca cuido eu!”

Da vida se aprende que “tudo o que começa, um dia tem um fim”. Isso obviamente vale também para os negócios.

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INVERTA SEMPRE

Abraham Shapiro

Eu concordo que é importante ser realista. E se houver tendência a ser otimista, excelente. 

Mas se você entrar em qualquer livraria nesse momento, verá uma imensidão de livros sobre o sucesso de empresários, líderes, investidores e gente de todo setor. Isso mostra que os autores acreditam que as pessoas se inspiram e imitam casos de sucesso. E querem nos fazer pensar assim.

Não sei se se isso funciona assim. Eu não acredito.

O fracasso ensina. E muito.

Lembro-me de ter conhecido a história de um matemático Judeu-alemão, chamado Carl Jacobi, que viveu no século XIX. Ele dizia: “Inverta! Inverta sempre. Porque na inversão encontra-se a solução de grandes e difíceis problemas”. 

Pare por um instante e pense. 

Todo negócio produz ganhos e perdas. Se você é um investidor, por exemplo, não será útil olhar para exemplos de pessoas e carteiras que faliram? Você poderá entender a causa da queda muito mais e melhor do que só através de grandes ganhos e lucros. 

Visitar erros e seus porquês sempre é tão valioso ou mais do que perseguir acertos.

Não desaconselho ninguém a pesquisar casos vencedores. São importantes, sim. Mas as derrotas despertam a nossa atenção para detalhes a que a ansiedade nos deixa cegos.

Em todas as situações difíceis, em tudo, inverta. Isto lhe permitirá ver e enxergar o invisível até então!

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CONVIVA COM A POTENCIAL DEMISSÃO

Abraham Shapiro

Outro dia estive com o gerente de área de uma média empresa. Ele está lá há vinte anos e tornou-se um especialista em sua função. No auge da conversa, perguntei-lhe como se sentiria se fosse demitido. Seu semblante mudou. Ele mostrou-se repentinamente rude e afirmou que ninguém o demitiria, exceto o diretor que o contratou. E se soubesse dessa intenção, preferiria ele mesmo pedir as contas para que nunca fosse demitido.

Bem. Eu estava diante de um quadro psicológico nítido e típico de preconceito. A raiz? Sólida crença em que “ser demitido” é humilhação. Será?

Coisa antiga! Tão ultrapassada quanto a expressão: “ficar com a carteira suja”.

Até a década de 1980, não era comum o funcionário ser demitido. Mas por volta dos anos 2.000 isso mudou.  Hoje, grandes empresas anunciam cortes de dois mil, seis mil, dez mil funcionários e os analistas de mercado veem com bons olhos.

Na nova realidade, colaboradores eficientes e que receberam elogios por seu desempenho podem ficar sem emprego de uma hora para outra. É a volatilidade do emprego e o rearranjo constante a que as empresas se submetem em busca de eficiência. Por isso, a sabedoria manda ser prudente.  Caso a demissão não aconteça, tudo bem. Mas se vier, os prevenidos terão menos problemas.

Sugiro três diferentes atitudes a quem quiser se adaptar.

Comece pelo currículo. Deixe-o permanentemente atualizado.

Depois, revise os seus contatos. Desenvolva e mantenha relacionamento com gente estratégica, pessoas de decisão e influentes. Armazene no seu banco de dados: nome completo, número de telefone, e-mail e estabeleça vínculo discreto e frequente com cada uma delas. Detalhe: não exagere. Tenha fineza.

Em terceiro, economize dinheiro.  Faça uma reserva e não gaste. Este deve ser um fundo para emergências.

A coisa proibida é você desejar ser como um navio ancorado no cais. Até porque, assim como navios são feitos para enfrentar o alto mar, um profissional bom e organizado deve  estar pronto para os desafios e as mudanças que qualquer carreira exige. E de agora em diante mais ainda!

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O COACHING COMO FERRAMENTA DE DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS

Tradução: Cassio Epstein

Ver executivos estressados conduzindo compulsivamente suas unidades de negócios para a tríplice meta de crescer, fazer as coisas mais rápido e ganhar mais dinheiro preocupa Abraham Shapiro. 

Apesar de despertar resistências, o coaching está em ascensão no mundo todo, inclusive na Argentina. Segundo Shapiro, o treinamento convencional se limita a ensinar novas habilidades e atender à demanda de mais informações, enquanto o coaching vai além, procurando integrar a totalidade da pessoa ao aprendizado, abordando suas emoções e as relações em que está inserida.

Shapiro alerta: coaching não é apenas treinamento in-house, como pensam muitos. E dá um passo adiante ao afirmar que o principal papel desta atividade é salientar o “ser” muito mais do que o “fazer”.

Em entrevista exclusiva à revista argentina Hospitalidad y Negócios, o consultor e coach brasileiro, que acumula resultados interessantes e práticos junto a executivos de todos os naipes, afirma que a solução para isto é o coaching, um modelo de treinamento que capacita as pessoas a enfrentarem seus sentimentos, medos e outros desafios. Shapiro é psicólogo, engenheiro e estudioso de gestão empresarial e pessoas.


H&N: O que é coaching?

Abraham Shapiro: Todos hão de convir que o desafio central das organizações é produzir mais e melhor. O problema é que resultado é algo que exige mais do que apenas ter conhecimento do que deve ser feito. Observe que, na vida, muita gente sabe o que fazer, mas poucos são aqueles que realmente fazem o que sabem. Este é o drama de grande parte das pessoas. Saber não é o bastante! É preciso entrar em ação. Este é o contexto em que se encaixa o coaching. A palavra inglesa ‘coaching’ significa treinar. Mas podemos entendê-la como sendo um treinamento particular muito mais intenso do que somente a transmissão de um conhecimento. O coaching tem a ver com o partilhamento de experiências de uma forma muito elevada. É uma resposta intuitiva a uma necessidade de aprendizado. Vamos pensar em termos práticos.  Imagine que eu seja o seu coacher. O que os treinadores fazem? Em primeiro lugar – e mais importante –  preocupam-se com você. Passaram anos focalizando uma área específica de atividade e são capazes de determinar os fundamentos para produzir resultados mais depressa. A partir disso, você começará utilizar as estratégias que seu coacher utiliza com você, o que irá possibilitar que você modifique seu desempenho imediata e drasticamente. Às vezes o coacher não diz nada de novo, mas lembra algo que você já sabe, e o manda fazer agora.

H&N: Então coaching é o mesmo que treinamento?

AS: Na tradução da palavra, sim. Mas o sentido prático excede muito a idéia de treinamento empresarial simples. As formas tradicionais de aprender – orientadas para habilidades específicas – são necessárias em qualquer organização. Mas além disso, existe outra necessidade de aprendizado que tem a ver com dimensões mais profundas do ser humano, que hoje aparecem com muita força porque vivemos em um mundo que muda permanentemente e no qual é difícil se encontrar, inclusive consigo mesmo.

H&N: Isso se relaciona com as mudanças deste novo século?

AS: Exatamente. As mudanças a que o mundo dos negócios tem se submetido aumentam as exigências dentro e fora da empresa. Com isso, as pessoas se sentem perdidas. Começa a surgir um enorme drama diante do sentido da vida. Elas se perguntam: “quem sou?”, “o que faço?”, “para quê trabalho?”, “qual o propósito?”. Somos bombardeados por múltiplas interpretações. As tantas possibilidades produzem instabilidade. Estas não são meramente trabalhistas. É uma instabilidade do ser. Diante disso, muitas pessoas sentem-se resignadas. Como conseqüência, o espaço de trabalho começa a se tornar altamente insalubre, com alto grau de desconfiança entre as pessoas. Vemos executivos e empresários cada vez mais estressados em função disso. Tais circunstâncias impõem alto custo humano para que se produzam resultados.

H&N: Então, pode-se dizer que o objetivo do coaching é ampliar o aprendizado num nível que vai além do mero treinamento?

AS: O que se almeja com o coaching é que o aprendizado não se limite às habilidades e ao aumento dos níveis de informação.  Acessar informações não significa saber. O coaching é um esforço de preencher esse vazio da educação organizacional. Observe um detalhe curioso: todas as empresas altamente criativas, ágeis, de desenvolvimento rápido, nasceram de pequenos grupos de pessoas inspiradas. Isso tem a ver com dinâmicas muito poderosas, isto é, gente que trabalha com uma confiança enorme, possuída por um sonho. Essa dinâmica é poderosíssima. O fabuloso sucesso dessas empresas não se deve a pessoas que sabiam muito, ou tinham muita experiência ou haviam feito muitos cursos. Ele é devido a jovens como: Bill Gates, Michael Dell etc. Este exemplo esclarece muito a respeito das metas a serem atingidas através do  coaching. É uma prática que procura integrar a totalidade da pessoa ao aprendizado, e não trabalhar apenas a informação ou uma faceta específica de alguma habilidade.

H&N: O que a sua técnica de coaching tem de diferente?

AS: Minha maior preocupação é com o ser. O coaching que eu dirijo aponta mais o “ser” do que o “fazer”. O maior perigo relacionado ao coaching está em se popularizar transformando-se em simples moda. Ficaria sem sentido e sem essência. Há empresas que entendem por coaching impor aos indivíduos um profissional responsável por seu treinamento in-house (dentro da empresa). É um absurdo. está completamente errado. Isto foge do real conceito.

H&N: Que técnicas são usadas no coaching? Como se desenvolve o processo?

AS: Normalmente trabalho com apenas uma pessoa. Já estou desenvolvendo uma técnica para trabalhar com grupos de diretores ou líderes. Neste caso, a proposta é de nos isolarmos em algum lugar por dois ou três dias e apresentamos um esquema de trabalho diferenciado. Quando as pessoas descobrem que isso tem a ver com o sentido de sua vida, elas se entregam, querem participar, conversar e explorar as várias propostas. Abraham Maslow dizia que não há transformação organizacional sem transformação pessoal, e é exatamente assim que vejo – hoje muito mais do que antes. O mundo, o país, a empresa, precisam de gente que pense, que execute, que resolva, que tenha iniciativa em todos os níveis.

H&N: Que relação existe entre o coaching e o empowerment, que aumenta as responsabilidades e o poder dos indivíduos e das equipes de trabalho?

AS: Empowerment e o coaching têm muito em comum. O empowerment aborda o fenômeno do poder, o que, na prática, significa ter consciência do tipo “eu posso”. Aí esta a ligação. Coaching e empowerment têm a ver com uma mudança no grau de consciência da pessoa a respeito de si mesma. Em outras palavras, quando qualquer pessoa consegue focalizar suas ações ao nível da mais profunda consciência possível os recursos disponíveis se maximizam. Esta pessoa irá produzir muito mais.

H&N: Consciência? A que o senhor se refere?

AS: A maior parte de nossos recursos pessoais se perde por causa da falta de concentração. Quando temos consciência plena do que temos a fazer, quais as metas, como deveremos fazer, com o que e quem contamos etc, nossa capacidade de concentra sobre aquela ação. Nós funcionamos a maior parte como uma lâmpada comum cujos raios luminosos se espalham por todas as direções. Trabalhar com consciência se assemelha ao laser que consiste em uma concentração de raios luminosos numa mesma direção e sentido. Nisso está o poder do raio laser. O coaching leva as pessoas a um estado de consciência superior. Com isso, o poder de suas atitudes se multiplica assim como os resultados e sua eficácia.

H&N: O que se pode ensinar a um diretor para que use melhor suas capacidades pessoais no trabalho diário?

AS: Para um diretores é extremamente difícil dizer “isto eu não sei”. Falta para eles a capacidade de pedir ajuda. Também é importante a habilidade de criar contextos emocionais adequados para cada tarefa; por exemplo, alguém pode ser um grande engenheiro e ver sua capacidade de trabalho reduzida por seu péssimo relacionamento com os outros. Os diretores devem ter em mente que um líder é alguém que dá sentido e propósito. As pessoas seguiam Gandhi e Mandela porque isso dava sentido à vida delas. Se meu trabalho me enche de sentido, colocarei nele uma capacidade muito maior.

H&N: Quando o senhor fala, parece que busca mais  inspiração em assuntos religiosos do que em temas organizacionais...

AS:  Minha área de atuação é o comportamento organizacional. A organização segundo o antigo formato tinha como metas: crescer, fazer as coisas mais rápido e ganhar mais dinheiro. Hoje, começam a ser incorporados elementos que transcendem a mera ganância. Os sonhos estão, aos poucos, sendo agregados à razão de existência dos negócios.  Servir a comunidade, atuar sem agressão ao meio ambiente e a responsabilidade social são exemplos disso. As grandes equipes de trabalho, as que foram capazes de coisas “impossíveis”, eram formadas por pessoas movidas pelo otimismo, não pelo realismo. Quando se convocam pessoas para fazer algo excepcional, gera-se uma força emocional poderosa. Nós, seres humanos, somos capazes de obras extraordinárias. Isso ocorre sempre e quando algo maior do que nós mesmos nos move. Talvez aí esteja o ponto em que a religião entra. Se o interesse por lucro não for maior do que nós mesmos, tudo se torna possível.

H&N: Que dificuldades a empresa enfrenta na implementação do coaching?

AS: O coaching encontra três grandes resistências. A primeira acontece porque é um processo que requer tempo. A segunda porque gera um desafio pessoal. Por exemplo: posso aprender química ou contabilidade, mas quando me falam de como me relaciono com os demais,  de como encaro meus sentimentos, o temor de não ser capaz de entender alguma coisa, isso se apresenta como um desafio. A terceira resistência está relacionada com o fato desse tipo de trabalho levar a uma redistribuição do poder, porque existem pessoas que se desenvolvem, que são capazes de resolver, que começam a falar de um espaço de responsabilidades e de compromisso. Nós nos encontramos com pessoas a quem se transferiu poder. Essa redistribuição do poder responde aos desejos e anseios de todos, mas às vezes provoca um grande temor. Delegar e permitir que outros resolvam alguma coisa sem nos consultar é aceitar que os demais pensem e reconhecer o valor das diferenças.

H&N: Como se podem medir os resultados do coaching da perspectiva dos negócios?

AS: A mensuração não é imparcial. Quando alguém mede, usa certo critério e privilegia alguma coisa. Como medimos o crescimento da confiança, a qualidade do tratamento ao cliente, o fato de que as pessoas vivam com mais tranqüilidade? Não é fácil responder. A medida final é que os clientes voltam a nos chamar.

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DIMINUA A DISTÂNCIA SOCIAL

Abraham Shapiro

Ninguém consegue obter a concordância de todo mundo nos relacionamentos. Sempre há e haverá alguma discordância de ponto de vista.

É claro que comportamento é questão de educação. Mas o temperamento às vezes se sobrepõe às regras que os nossos pais e professores tentaram nos ensinar. É aí que avançamos a linha atrás da qual devíamos nos manter.

Quando isso acontece, o orgulho próprio tende a fazer uma série de atentados terroristas na nossa mente. Ficamos ressentidos, achamos que estamos certos, que o outro está errado... e  pensamentos assim são o fermento que nos põe sempre a perder. 

Como sair no lucro? 

Regra de ouro: Não lute para ter razão.

Situações desagradáveis no relacionamento, clima negativo com o outro, requerem que você tome a iniciativa de reduzir a distância social que se implantou aí. 

Tome apenas a iniciativa de procurar aquela pessoa e de propor o fim do mal-estar através de uma conversa curta, objetiva e sem esmiuçar detalhes do ocorrido.  Peça desculpas. 

Depois, não perca a oportunidade de dar atencão a ele ou ela sempre que possível a fim de promover um novo clima positivo entre vocês. Se você souber de seu aniversário, por exemplo, escreva uma mensagem.

A lição prática é: reduza sempre que possível a distância social entre você e todos com quem se relaciona no trabalho e na vida.  Só não confunda as “bolas”. Trabalho não é lugar para se ter amigos, mas colegas.  Não é preciso intimidade, puxa-saquismo e nem outras tendências do comportamento tipicamente latino.  

Procure ser uma fonte de entendimento e compreensão. Praticando isso, todos farão questão da sua presença sempre. 

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RICO É QUEM TEM TEMPO

Abraham Shapiro

O que acontece quando você sabe que terá uma semana para concluir uma tarefa que demandaria, digamos, no máximo duas ou três horas?

Depende de quem é você.

As pessoas desorganizadas verão, a princípio, essa tarefa como difícil e complicada. Isso é o que as faz expandir o tempo de que necessitam. Assim, o que levaria três horas irá ocupar exatamente a semana disponível. 

O nosso trabalho quase sempre se expande até ocupar todo o tempo que disponibilizamos para sua realização. E quando isso ocorre, a tendência da qualidade é que seja ruim. 

Se fosse feito nas três horas, com planejamento, foco e cuidado, todo o tempo restante poderia ser empregado para correções e melhoria. 

Mas o que se passa é uma confusão mental causada pela desorganização. Ela impede o indivíduo de ser eficiente. 

Como resolver isso? 

Faça ao contrário todo o cenário que eu usei para descrever esta situação. 

Planeje o que será feito, organize-se e então realize o trabalho o quanto antes possível. Você poderá gastar uma ou duas horas a mais, porém, estará com a tarefa pronta e terá tempo, ainda, para revisão e entregá-la, talvez, antes do prazo.

Não aumente a conta do tempo. Ao contrário, reduza. O cérebro funciona melhor com desconforto e com prazo comprimido.  

E mais: pare de achar tudo difícil de antemão. Analise.  Facilite. E depois simplifique.

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DIFERENCIAL

Abraham Shapiro

Quantos livros você leu neste ano? Se você é como a maioria dos brasileiros, deve ter respondido "nenhum". 

A Federação do Comércio do Rio de Janeiro divulgou pesquisa recente mostrando que 70% da nossa população não leram um livro sequer no ano passado. O dado é preocupante porque ele já é maior do que no ano anterior.  

Em 1920, uma pessoa que soubesse ler e escrever conseguia um ótimo emprego. 

Em 1950, era quem soubesse falar inglês. 

Já em 1965, vencia a disputa da melhor vaga quem tivesse curso superior.

Em 1990 quem soubesse informática estava bem no emprego.

E hoje? Como se consegue as melhores colocações?  

Numa sociedade onde mais de 70% da população não lê livro algum e 75% das pessoas entre 15 e 70 anos das que sabem escrever não compreendem o que leem porque são analfabetos funcionais, quem se dedicar a pelo menos um bom livro por ano e interpretá-lo bem estará em condições superiores às da grande maioria dos concorrentes brasileiros a uma vaga de emprego. Provavelmente ele esteja em situação até de assumir uma chefia. 

Eu seleciono candidatos à gerência para empresas de muitos segmentos. Todos têm faculdade, estudaram inglês, conhecem informática, participam de palestras, viajam para o exterior etc. Mas na capacidade de interpretação de um texto quase todos são uma gigantesca decepção.

Veja só. A regra sempre foi e continua sendo a mesma de todas as ápocas: destaque-se em pelo menos um ponto a que poucos dão valor, e você conseguirá um ótimo emprego. Em palavras bem diretas: “seja agora o que todos só tentarão ser amanhã”.

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AUTODESENVOLVIMENTO: VOCÊ TAMBÉM PODE!

Abraham Shapiro

Era uma vez um homem que decidiu esconder suas valiosas moedas de ouro no fundo de um jarro de vinho. O recipiente tinha a boca estreita e se alargava até o fundo. Ele estava certo de que ali elas não seriam encontradas. Mas seu filho viu o que ele fez e assim que o pai saiu de casa, pegou o jarro, comprimiu os dedos juntos e enfiou a mão em seu interior, mesmo sendo apertado até mesmo para uma mão pequena. Finalmente, ele conseguiu alcançar as moedas. O garoto agarrou quantas pôde e tentou tirá-las. Mas de nada adiantava torcer e movimentar o pulso, ele não conseguia tirar a mão de dentro do jarro. Sem opção, chamou sua mãe.

Ela disse:

- “Filho, você não será capaz de tirar a mão aí de dentro, a menos que largue as moedas que pegou. O pescoço desse jarro só permite passar a sua mão comprimida. Mas segurando as moedas, você não irá tirá-la daí”. 

E assim foi. Só quando o garoto largou a última moeda é que conseguiu retirar a mão do recipiente.

A vida e o trabalho são como essa história. Tudo o que é preciso para o nosso desenvolvimento e  melhoria pessoal é “largar” os nossos erros. 

Quando fazemos o propósito de mudar o comportamento para assumir novas competências, é preciso o esforço para não ‘escorregar’ mais em coisas que se opõem a este propósito. E então, quando largamos “todas essas moedas”, estamos, enfim, livres dos obstáculos reais que nos impedem de ser melhores! 

Não há dúvida alguma. Isso... exatamente isso é que é autodesenvolver-se.

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MENTOR SIM. PAJÉ JAMAIS!

Abraham Shapiro

Cada pessoa precisa de um mentor. E o mentor, de um mentor. E o mentor do mentor... A série é infinita porque ninguém pode se levantar do chão puxando os próprios cabelos.

Mais que uma regra de sucesso para o trabalho, este é um princípio de vida.

Sair em busca de alguém com quem você possa contar como conselheiro não é simples e nem fácil. Mas é excepcionalmente necessário.

Esta, aliás, era a ideia original quando o coaching migrou da área dos esportes para a vida corporativa e carreira profissional.  Mas perdeu-se no caminho. Hoje em dia, o coaching vem se transformando em mais um meio caça-níqueis de fracassados em suas áreas de trabalho.  Identificá-los é fácil. Eles estão por aí vendendo palestras, treinamentos e consultorias nada úteis ao público que desejam atingir, pois pretendem parecer “a salvação de todos os problemas”, quando isso é impossível na prática.

Um mentor o que é? Para começar, é um orientador – indivíduo que interpreta fatos e situações com entendimento e domínio,  sabe colocar-se no ponto de vista de quem orienta e auxiliá-lo em seus julgamentos pessoais.  

A vida de uma pessoa de negócios exige permanente e elevada lucidez para decidir. Este é o núcleo da direção empresarial.  Mas o cotidiano não contribui. Ao contrário. A maior parte do tempo traz avalanche de problemas e tensões que confundem o propósito central da liderança. Este cenário cria a necessidade de alguém capaz de auxiliar a manter o equilíbrio com compreensão e discernimento.

Um mentor confiável, maduro, emocional e racionalmente posicionado é  quem torna isso possível. Ele deve reunir conhecimento e sabedoria. Traduzindo: domínio teórico e prático, experiência e capacidade de reflexão naquilo a que se propõe, bom senso, julgamento com claridade, visão, análise e síntese.

Seja proativo e faça de alguém o seu  mestre pessoal para que os seus esforços sejam um investimento real e converta-se em resultados. Só não opte por “pajelanças” ou magia, pois, em cem por cento dos casos os riscos de perdas e danos se realizam como consequência desta malfadada escolha. 

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OBJETIVOS QUE ORIENTAM UMA VIDA DE SUCESSO

Abraham Shapiro

Como você sabe se está desempenhando bem as coisas que faz? 

Sem definir com clareza os princípios que irão reger cada uma das suas atitudes, e os objetivos que deseja atingir, o risco de errar é gigantesco. E você pode nem perceber, o que é muito mau!

Objetivos claros dão a você um ponto no qual se concentrar à frente, em sua caminhada.  Sem ele, você não tem um sentido e nem uma direção a seguir.

Objetivo o que é? É a definição evidente de um resultado que se deseja alcançar. 

E como se faz isso? 

1. Tão logo saiba “o que” e “onde” você deseja chegar, trace um plano de percurso, uma rota para atingi-lo. 

2. Depois,  avalie quais serão e junte os recursos de que vai precisar no caminho. 

3. Feito isto, ponha  o plano em prática. Levante-se e vá à busca do seu alvo.

Suas metas pessoais estão bem definidas?  Por exemplo:  o que pretende fazer para tornar-se hoje um indivíduo melhor do que foi ontem? Seu alvo pessoal imediato é ganhar mais dinheiro? Perder peso? Tente buscar realização profissional, intensificar os relacionamentos de melhor qualidade com gente inteligente, busque bons hábitos de saúde, equilíbrio emocional, enfim, coisas que tornem a sua vida mais elevada. O dinheiro é e sempre será uma consequência de tudo isso de modo bem coordenado.

Havia um patrão que repetidamente dizia aos funcionários: “Ninguém é insubstituível”. Ele agia assim porque estava previamente disposto a descartar alguém da equipe – independente do desempenho. Era puro sadismo. 

Permita-me dizer-lhe que, se você tiver objetivos e os perseguir com obstinação, a sabedoria que adquirir ao longo do caminho trará autorrealização e autorrespeito para a sua vida. Você será cada vez mais cobiçado pelo mercado de trabalho e, provavelmente, muito bem pago também. Isto é o que fará de você alguém insubstituível. E quando você se tornar insubstituível, então é que será competente de verdade.

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LIÇÕES DE VIDA E NEGÓCIOS DE JACOB SAFRA

Abraham Shapiro

A família Safra, dona do banco de mesmo nome, é herdeira de uma tradição na área bancária recebida das mãos de seu patriarca, Jacob Safra. 

Jacob foi o tipo de pessoa que não se preocupou em deixar aos filhos apenas um bom negócio. Ele legou princípios e valores que nortearam decisões da vida, além, é claro, do trabalho. Eu soube, através de uma pessoa muito próxima da família, que os ensinamentos do velho Jacob podem ser condensados em três princípios básicos. 

O primeiro:  “Construa o seu negócio como um navio: sólido para enfrentar tempestades”. O núcleo deste princípio é a segurança. Para resistir a uma tempestade em alto mar, um navio precisa ser forte, sólido, bem engenhado e, principalmente, governável. Uma empresa necessita de recursos que permitam controle total e inequívoco em tempos de bonança, e que sejam muito mais efetivos em tepos de crise. 

Vamos ao segundo princípio: “Mantenha alta liquidez”, isto é, disponibilidade de dinheiro ou de meios que se convertam rapidamente em dinheiro. Só assim você pode empreender mudanças necessárias de modo livre e a custos sustentáveis. 

O terceiro princípio, diz: “Nunca seja o maior. Os raios atingem primeiro as árvores mais altas da floresta”. Para quê se expor? Em negócios, os derrotados é que fazem questão de aparecer, não os vencedores.  Fazer o que for necessário para atrair clientes e validar os melhores serviços, isto sim. A lição é: concentre energias em serviços, qualidade e relacionamento. A glória de ser chamado “o primeiro” é tolice. 

A família Safra é centenária no ramo bancário. Hoje têm grandes negócios no Brasil, América do Norte, Europa e Oriente Médio. 

Quando muito jovem, recebi do Moises, um dos filhos do Sr Jacob, uma inspiração que perdurou como orientação para toda a minha vida. Disse-me ele: “Abraham, o trabalho é uma luta, é um meio para se obter o sustento. Quem não se concentrar nisto, estará comprometendo a sua própria vida e a de sua família. Isto é sério demais e não deve ser esquecido nunca”. Pela efetividade do conselho, vê-se que  grandeza e  sucesso são resultados ligados mais à simplicidade e ao foco do que ao próprio desejo. Jacob Safra foi um exemplo memorável por  muitas gerações.

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O REAL CONCEITO DE GESTÃO

Abraham Shapiro

Peter Drucker,  o pai da administração moderna,  fez uma advertência seríssima a respeito dessa moda de liderança que ronda o mundo empresarial de hoje. Veja as palavras do sábio Drucker:

“Permita-me dizer com toda a sinceridade: não acredito em líderes. Toda essa conversa sobre liderança é uma bobagem perigosa. É um erro afirmar que as escolas de negócios formam líderes. Sua tarefa consiste em formar medíocres competentes para que realizem um trabalho competente. Pode-se dizer o mesmo das faculdades de medicina. Sua função não é formar líderes, mas médicos que matem o menor número possível de pacientes. Permita-me dizer com toda a sinceridade: não acredito em líderes. Toda essa conversa sobre liderança é uma bobagem perigosa. É tudo conversa fiada. Entristece-me constatar que, encerrado o século 20, com líderes como Hitler, Stálin e Mao, as pessoas ainda estejam em busca de quem as comande, apesar de todo esse mau exemplo. Acho que tivemos carisma demais nos últimos 100 anos”.

A conclusão de Drucker é que toda empresa precisa de gestores, e não de líderes.

O que é um gestor? 

Quatro trabalhadores podem fazer seis unidades de um produto durante um turno de oito horas sem um gestor.  Com a contratação de um gestor para administrá-los, eles agora produzirão 8, 9 ou até 10 unidades, no mesmo turno. 

Gestão é a arte de fazer as pessoas serem mais eficazes, e a ciência de como fazer isto.  Não se trata de um jogo de adivinhação, mas de método organizado e mensurável. Para isto, existem quatro princípios básicos sobre os quais se fundamenta a gestão. E eles são?

1. Planejar, 

2. Organizar, 

3. Dirigir e 

4. Controlar.

No curto e médio prazos, qualquer pessoa deve almejar tornar-se gestora, e não líder. Por quê? O conceito de liderança é demais amplo, e repleto de imagens erradas ou deturpadas advindas do cinema ou da própria história universal. 

A gestão, não. Ela segue regras e procedimentos com o objetivo de produzir mais e melhor. 

Esta facilidade com que se fala em liderança ilude as pessoas simples.  Aí, aparecem espertinhos bem vestidos, mencionando passagens de livros, dizendo-se “formadores de líderes”, catam o dinheiro dessa gente e prosseguem sua rota um pouco mais ricos. 

Não existe curso que faça líderes. Uma boa dica de liderança é: estude muito, submeta-se a viver boas experiências no trabalho e nos relacionamentos, e esforce-se para pôr tudo em prática. 

Formar um só líder empresarial consiste num trabalho de décadas. Curso algum pode fazê-lo em dois dias ou em uma semana.

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