A DESGRAÇA DA EMPRESA-FAMÍLIA

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Abraham Shapiro

A empresa preocupada em tornar-se  uma família emite, de cara, o sinal inequívoco de paternalismo e centralização de poder. E isso é veneno mortal. 

Ela educa seus gerentes a evitarem responsabilidades, pois para tudo e qualquer situação eles precisam obter a aprovação do “pai” antes de agir o que, num ambiente desse tipo é ótimo, já que os livra de comprometimento. O princípio que os rege será: “Não decida nada por si. Quem manda é o pai todo-poderoso”... e assim até mesmo as questões mais triviais da rotina consomem longo tempo para que sejam resolvidas. No entanto, quando uma ordem vem de cima é atendida de pronto, já que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. 

Falemos um pouco deste “paizão”. 

Ele é viciado em trabalho. Chega a sua sala antes de todos e sai bem depois. Raramente tira férias e orgulha-se disso. Seu jeito de trabalhar causa agitação geral, pois espera que todos estejam à mão sempre que ele precisar. Vida familiar ou saúde é lenda para ele. Seu critério de promoção premia somente o tempo de serviço do funcionário e jamais o desempenho ou qualquer outro mérito. (Pudera, pois permanecer anos a fio num ambiente desses já é, em si, grande mérito.)

O fato negativo principal de uma série imensa de fatos é que esta empresa jamais terá outro valor senão o patrimonial. O motivo óbvio é que ninguém dentro dela é capaz de fazer ou criar algo verdadeiramente significativo neste negócio. Mas isso não é problema para eles, pois como eu disse no início, ninguém aí quer ser ‘empresa’. O que eles querem mesmo é ser ‘uma família’. 

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