Saia fora do círculo vicioso

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ABRAHAM SHAPIRO para o Portal Profissão Atitude

Jean Henri Fabre foi um pesquisador  francês que estudou uma espécie de lagarta que se move em fileira, com a cabeça de uma colada  à extremidade da outra. Daí elas se chamarem “lagartas processionárias”.

Fabre induziu um grupo dessas lagartas a se movimentar em torno de um grande círculo. Assim que o círculo se formou, ele pôs uma porção de comida ao lado  de modo que, para que elas se alimentassem, precisariam sair fora dele. O pesquisador imaginava que, depois de algum tempo, elas perceberiam o percurso vicioso, ficariam cansadas da marcha inútil e sairiam da rota tomando uma nova direção. Mas isto não aconteceu em nenhuma das muitas experiências realizadas.

Por instinto ou por hábito, aquelas lagartas continuaram andando noite e dia. Passou uma semana inteira, e por fim elas morreram. 

Mais que uma descoberta científica, a experiência de Fabre tem um significado importante.  Vivências passadas têm domínio poderoso sobre nós, seres humanos. Elas podem viciar, deixar-nos "bitolados" numa forma de pensar difícil demais para que mudemos o rumo.

Quantos indivíduos neste mundo não agem como lagartas processionárias anos e anos de suas vidas? Seguem a cabeça de outros - ou seu jeito errado de pensar - por simples desistência de dar a volta por cima e vencer suas fraquezas, erros ou insuficiências. Determinam sua vida e decisões desde experiências e pressupostos que nunca foram questionados.

Feliz é aquele que questiona o que acredita e se renova. Este ao menos dá a si mesmos a oportunidade permanente de agir por razão e lógica, e não por instinto ou vício. Quem assim procede é um ser humano autêntico, e não uma lagarta processionária disfarçada de gente. 

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